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Parto

Quero um parto normal, mas não tenho apoio do companheiro ou da família.

Lutar pelo direito de parir dignamente no país das cesáreas e das intervenções violentas, desnecessárias e que são adotadas como protocolo de rotina nas instituições publicas e privadas Brasil a fora, é apenas o primeiro exercício de autonomia da maternidade que logo você terá que exercer.

Sair do confortável e cômodo papel de filha ou esposa (mulher sensível e que necessita de proteção e que, portanto, precisa que tomem decisão por si) para o papel de si mesma. Mulher madura, forte, decidida, que toma as decisões por si. O papel mais importante de sua vida.  O papel principal. Não o papel de figurante ou coadjuvante. Não  o papel de filha do fulano e da cilcana. Ou o papel de esposa do beltrano. Mas o papel de Fulana de Tal, que desempenha várias funções. Filha, mãe, esposa, profissional. Essa é a sua primeira grande chance de se despir das fantasias e desnudar-se frente à sociedade patriarcal onde a mulher sempre tem o papel secundário, terciário, n-ário.

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Gisele Leal
Escrito por

Gisele Leal

Obstetriz formada pela USP e acupunturista, com mais de 15 anos acompanhando mulheres na gestação, no parto e no pós-parto. Fundadora do Espaço Mulheres Empoderadas, em Campinas.

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