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Mulher

O perigo que representa um par de seios [naturais]

O perigo que representa um par de seios [naturais]

angelina-jolieO parto deixou de ser um evento bio-psico-social e passou a ser um ato médico, hospitalar e cirúrgico.
Vaginas cortadas, barrigas cortadas, bebês extraídos a ferro. Mudanças que transmitem a mensagem de que o corpo da mulher é falho, frágil e que, portanto, precisa de intervenção e ajuda médica.
Incutiram-nos a idéia de que “sofremos” processos muito perigosos, que requerem muito cuidado e prevenção. Processos de alto risco, que se desenrolam em um corpo tão frágil e delicado: o corpo da mulher.
Acreditamos que seria melhor interromper a menstruação, adiar a gestação e deixar que extraíssem nossos filhos através de uma cirurgia asséptica.
Como se não bastasse, uma nova onda coloca novamente a mulher como ser frágil e defeituoso, dotada de um par de seios que pode levá-la a morte.
Sob nova alegação de segurança e qualidade de vida, médicos estão mapeando genéticamente a probabilidade de mulheres desenvolverem câncer de mama e sugerindo a mastectomia total (retirada de ambas as mamas) e reconstrução de um par de seios novinhos em folha, recheados de silicone. Sim. Se sua mãe, tia materna, irmã teve câncer de mama, você tem um grande risco de desenvolver a doença. Quem quer ter um câncer?
Isso não é novidade. Porém o assunto veio a tona com a notícia de que a Angelina Jolie aderiu ao método radical de prevenção de câncer de mama. Segundo as notícias ela tinha mais de 85% de chances de desenvolver um câncer de mama, e com a cirurgia o risco caiu para 5%.
Quais são os riscos que uma cirurgia  radical como essa envolvem?
Será que as mulheres que  são submetidas a essas cirurgias preventivas sabem os riscos que correm?
Será que vale a pena fazer uma  cirurgia radical por  prevenção? Será, será, será?
Para mim, o buraco é muito, muito mais embaixo.
Assim como a lendária história de Sansão, quando cortaram-lhe o cabelo numa disputa de poder,  hoje cortam nossas vaginas, nossas barrigas, retiram nossos ovários, nosso útero, nossos seios.  Nos amarram, nos anestesiam, nos medicalizam.  A violência contra a mulher, ganha formas veladas sob o pretexto de cuidado médico e preventivo.
Me pergunto se existe algum esforço para diagnosticar a possibilidade de um homem desenvolver um câncer peniano com posterior sugestão de substituição de seu membro viril por uma  prótese de silicone. DUVIDO. Mas o corpo feminino é falho, defeituoso e perigoso. Portanto pode e deve ser mutilado.
E você? O que pensa dessa “nova onda”?

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Gisele Leal
Escrito por

Gisele Leal

Obstetriz formada pela USP e acupunturista, com mais de 15 anos acompanhando mulheres na gestação, no parto e no pós-parto. Fundadora do Espaço Mulheres Empoderadas, em Campinas.

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