Tenho lido tantos, mas tantos relatos de partos roubados (mulheres que queriam um parto normal e na hora H o médico inventou uma desculpa qualquer para fazer uma cesárea. Ou mulheres que queriam um parto bacana, sem intervenções e na hora H ganharam ocitocina, um forceps ou uma episio sem necessidade) que resolvi colocar aqui, depoimentos dessas mulheres para você que ainda acredita que seu obstetra fofo, gentil e amigo vai “fazer seu parto” da forma como ele prometeu.
Então hoje, comecei a registrar relatos desses partos roubados, pedi para essas mulheres que foram atendidas por equipes tradicionais, escreverem e me enviarem um parágrafo curtinho, sobre como foi o parto para elas, e se elas continuariam com a equipe que elas contrataram se pudessem voltar atrás, para alertar outras mulheres que estão ainda com GO tradicional, de convenio.
Se você também teve seu parto roubado, escreva pra gente: mulheresempoderadas@yahoo.com.br
Obs: Esse post não é um tributo às equipes humanizadas, É um alerta. Escrito por mulheres que acreditaram em seus obstetras de confiança e tiveram seus partos roubados. A mudança só virá pela demanda. E a demanda só acontece quando conhecemos a realidade.
Com vocês, relatos da vida real. Sem cortes, e sem censura!
“Meu médico era fofinho, amigo, legal. Confiava nele, ele dizia que fazia parto normal. Realmente, meus partos foram vaginais… mas com TODAS as intervenções: ocitocina, rotura artificial da bolsa, anestesia, episio… Pari em 4h e aguentei até os 8cm sem anestesia, porque o anestesista atrasou! Ou seja, bem acompanhada, com respeito pelo meu ritmo e momento, teria parido naturalmente. O médico fofinho continua fofinho, mas a verdade é que só faz parto normal se o bebê teimar em sair e for rápido! Mude agora. Na hora P, não há muito o que fazer.” – Priscila Cavalcanti, São Paulo/SP
“Meu GO era tudo isso, fofo, etc…Consegui meu Parto Normal, por minha vontade, mesmo sem saber nada, porque na hora “H”, ele mandou a enfermeira perguntar se “eu já tinha desistido e queria uma cesárea”. Consegui meu parto, mas com ocitocina, episio, coisas que hoje eu lutaria pra não ser feito. Hoje, eu contrataria sim, uma equipe humanizada.” – Rejane Maciel, 28 anos, São Francisco do Sul/SC
“Eu contratei uma doula e achei que o meu corpo+doula dariam conta do recado com um médico de convênio. Não deu… o médico perdeu a paciência, mesmo eu chegando com 9 de dilatação no hospital, a uma da manhã. O parto, ainda assim, rolou noite adentro e minha filha nasceu num fórceps as 8h. A médica, mesmo a Lara estando ótima, correu pegá-la para fazer todas as intervenções possíveis e imagináveis, embora a doula tivesse pedido p/ que ela fosse colocada no meu colo ao nascer. Enfim, não curti e vi que médico de convênio, por mais simpático e do bem que possa ser, não faz milagre. O segundo nasceu em casa, com todo o respeito que um filho merece no seu nascimento. 🙂” – Kelly Stein, 36 anos, Indaiatuba/SP – mãe da Lara (fórceps) e do Júlio, nascido em casa há 3 anos.
“Na primeira gravidez eu achei que era só me preparar e arrumaar um bom médico e uma boa maternidade… O médico que era bom e renomado, me tratava super bem, era um fofo e tinha toda paciencia comigo, atendendo meus telefonemas a qualquer hora, me enganou direitinho na 39 semana e cai na faca agendada (o que me deixa ainda mais revoltada), sem ele nunca ter dito que essa era uma opção pra mim, que falava tanto do PN. Nessa segunda gravidez eu não tive a menor dúvida em trocá-lo e agora não tenho dúvidas que será um PD, com parteira, doula e tudo mais que é necessário para um VBAC realmente acontecer!” – Camila Andrietta, Mairiporã/SP
“Olha, sinceramente…eu teria feito diferente sim.. mas eu tive na Casa de Parto Sapopemba .. e vendo tudo hoje eu sei que não foi humanizado coisa nenhuma.. E pelo mesmo motivo de outras com médico fofinho : falta de paciência.. Com já uma hora (ou mais) de expulsivo, exausta, puxos dirigidos ” vai, vai, assim não, é assim.. força, vai!! ” e uma enfermeira totalmente seca e impaciente… bebê indo e voltando no períneo, eu só queria relaxar que ela IA nascer.. mas tanta pressão na cabeça a ocitocina foi oferecida.. ” só mais uma força e ela sai ” tomei.. e também tomei glicose.. dai ela nasceu realmente.. com umas 2 ou 3 forças… nem senti a ocitocina e levei várias manobras, o que me deixou com um edema .. fiquei 2 dias com falta de ar também.. de não conseguir levantar da cama sozinha nem andar sozinha.. Tive uma doula e vejo que ela foi ótima naquela situação.. Mas uma equipe toda humanizada faz diferença, e muita.” – Flávia Mesquita, 20 anos, São Paulo/SP
“No meu primeiro parto não tive nada de médico humanizado nem obstetra. Foi o maior arrependimento da minha vida! Tive minha “cesárea vaginal”, fria. Um parto dirigido, deitada.. fui mal tratada ouvi da enfermeira depois “ah agora dá pra ver que seus olhos são verdes, com vc gritando e chorando eu não via nada” e minha bebê saiu e foi levada para os exames..só a vi depois.. foi horrível..tive a sensação de ter passado por uma cesarea até hj! Por isso tive meu parto maravilhoso no segundo que não abri mão da obstetra humanizada que faz tooooda diferença sim! Eu contratei o obstetra e não me arrependo.. mas não contratei o pediatra e me arrependo… não que tenha sido “abusivo” tive muita sorte com a equipe que peguei no hospital.. não enfiaram o caninho no ânus, nem aspiraram.. e me deixaram ficar com ele, os procedimentos foram rápidos mas com o humanizado tudo teria sido diferente… Mas eu tive muita sorte com a equipe que estava lá… ele não foi aspirado, esperaram cortar o cordão e ele ficou comigo um tempinho… Mas teria sido diferente que não teriam enfiado caninho no nariz, ele lá berrando assustado e a médica enfiando a merda do caninho no nariz dele! o banho teria sido dado do meu lado no balde na sala de parto.. e ele teria ficado direto comigo sem ter ido para “observação” ainda que por 1 hora só… e depois ele teve icterícia.. eu tive que ficar 1 dia a mais no hospital por causa dos banhos de luz.. um pediatra humanizado teria tido outra postura quanto a isso..” – Raquel B Goncalves, 27 anos, São Paulo/SP.
“O médico que fez meu pré-natal “apoiou” minha decisão de parto normal, mas no final me enfiou goela abaixo uma cesárea eletiva. Nossas consultas não passavam de 5 minutos cronometrados no relógio, ele sempre atendia muitas pacientes no mesmo período (calculo mais de 30), logo, suas consultas não podiam ser de qualidade e muito menos humanizadas. Nunca o vi desmarcando consulta ou se ausentando do consultório para fazer PN. Depois vim a saber, que se realmente a mulher se encaminhasse para o PN, ele, geralmente, deixava que o plantonista o fizesse, e as cesáreas que fazia eram sempre realizadas a noite, no final do expediente, para não ter que perder um dia de consultas. Me arrependo por não ter procurado outro médico, mesmo que fosse do convênio, mas que realmente apoiasse a minha decisão. No final, tinha grandes chances de fazer uma cesárea mesmo, já que minha bebê estava pélvica. Mas se eu tivesse me informado mais, me preparado mais, ou tivesse tido a oportunidade de me consultar com um médico que, no mínimo, respeitasse a mim e o bebê, teríamos esperado a hora certa do nascimento. Felizmente deu tudo certo, e nada aconteceu com a minha pequena, mas hoje conheço todos os riscos, principalmente ao bebê, de aceitar uma cesárea eletiva, e isso é comprovado por diversos estudos. Os médicos tem uma lista de falsos motivos para indicar uma cesárea eletiva, se eu tivesse tido mais consciência disso, teria feito diferente.” – Yara Guariglia P. de Pieri, 26 anos, Sorocaba
“Eu queria ter tido parto normal…desde o inicio da gravidez deixei claro p o meu medico que queria PN, ele disse que por ele td bem, que ele tinha uma equipe no hospital que me atenderia ate a chegada dele e tudo mais, fiquei feliz e foi assim até que eu chegasse a 36 semanas, qdo começaram as consultas semanais, toda semana ele vinha com um motivo p cesarea, ou meu bebe era grande demais, ou eu tinha liquído em exceaso, fiquei brigando e insistindo no PN até entrar em TP…fui para o hospital e após 14 horas de TP ele disse a palavra magica, que meu bebe iria sofrer se eu esperasse mais, ja que minhas contrações estavam muito proximas e eu nao tinha dilatação…fiz a cesarea e meu bebe esta otimo, mas a recuperação esta ruim, é uma cirurgia com os mesmos incomodos…Acho que devia ter buscado uma segunda opnião, queria realmente ter feito PN, só não mudaria minha atitude qdo o medico disse que meu bebe entraria em sofrimento…”. – Fernanda Martins Gonçalves
“Eu tive o meu filho em um hospital militar, que tenta de todas as formas o PN, mas no meu caso não foi o que aconteceu. Com 37 semanas, Rafael estava muito pequeno pra idade gestacional (compatível com 33 semanas) e eu tinha perdido muito líquido. Fui internada assim que fiz os exames e dois dias depois decidiram interromper a gravidez, diante de uma tortura psicológica horrível, já que deram a entender que meu filho tinha alguma deficiência. O parto foi extremamente agressivo, mas fui muito bem tratada pelo anestesista. Bem, a minha anestesia não fez efeito devidamente e no meio da cirurgia comecei a ter dores insuportáveis e fiquei gritando de dor até tirarem o meu filho, logo depois aplicaram a anestesia geral porque eu estava em risco. Só vi meu filho 4 horas depois já no quarto, meu leite demorou muito a descer, mas ele já vinha sendo alimentado com NAN porque teve hipoglicemia. A experiência toda dentro do hospital foi muito ruim pra mim, mas tudo compensou por ver meu filho saudável depois. O hospital em si incentiva ao máximo o aleitamento materno e o parto normal, mas as condições são horríveis. Não temos direito a acompanhante, não tem bola nem chuveiro e ficamos deitadas em macas em boxes sozinhas esperando ter dilatação suficiente para ir para sala de parto.” – Cisen Raven, 20 anos, Rio de Janeiro/RJ
“Fiz o pré natal no sus e meu médico nunca falou em cesária para mim, atende na policlínica, um excelente profissional. Meu parto foi no CHS normal, pena que não foi com ele, e sobre o parto humanizado não tinha muitas informações e nem apoio .Faria diferente se tivesse mais informação, meu parto foi tranquilo, só é complicado a episiotomia, queria o mais natural possível quem sabe na próxima gravidez eu consiga”, Cássia Helena Rodrigues de Oliveira Dias, 25 anos, Sorocaba/SP
“Sem duvida alguma, eu contrataria hoje toda a equipe humanizada (incluindo mãe, sogra, marido rsrsrsr). comecei meu pre Natal em SP com uma GO com uma boa media de PN, que nao se opôs a minha intenção, apesar de cesaria anterior (que vim a saber depois, sem a menor necessidade). No final da gravidez nos mudamos para Sorocaba e segui uma indicação para uma GO do convênio. Paralelo a isso, fiz uma fotos com a kelly e me apaixonei pela história do parto dela. Ela me indicou a Gi e comecei a fazer um acompanhamento com ela e com a Giovana, mas muito em cima da hora (38 semanas). A medica nao se opôs diretamente, mas percebi que nao havia gostado…nesse momento, eu tinha que ter pulado fora, mas nao tive coragem e nem apoio pra isso. Me arrependo muito de nao ter peitado todo mundo, mas me serve de lição e espero que sirva a outras gestantes…..passei por vários conflitos nas ultimas semanas, problemas que nao eram meus, mas que impediram que a ocitocina fizesse sua parte…..infelizmente, esse momento já passou, nao posso mudar, mas quero servir de exemplo para vocês que estão lendo”. Paola Castro Almeida, Sorocaba/SP
