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Maternidade

Maternidade ou Carreira?

Vivemos em uma época em que ser bem sucedida profissionalmente tornou-se prioritário a ser mãe, ou pelo menos, para um grande grupo. Basta olhar com cuidado as taxas de fecundidade. Nos anos 60 a média era de 6 filhos por mulher, hoje a média é de 1,9.
Trabalhar fora, e ainda ser bem sucedida é uma conquista recente. Ganhar seu próprio dinheiro, ser independente, ter sua competência reconhecida, é motivo de orgulho para quem opta por construir uma carreira de sucesso. Entretanto, optar por ser mãe e construir uma carreira significa saber coordenar todos os papéis que a mulher moderna tem em suas mãos. E para ser bem sucedida na maternidade e/ou na carreira, é preciso lidar com as culpas e os complexos que rondam a todas nós.
Nossa história começa com o homem no mercado de trabalho, quando apenas eles tinham plano de carreira, promoções, sucesso profissional e o dever de manter e sustentar a casa. O trabalho era apenas isso: manutenção da família, e era isso que nossas mães, avós e bisavós acreditavam. Não via-se o trabalho como fonte de prazer, de emancipação, de evolução, de cultura e de sociabilização.
Hoje temos muitas mulheres que conciliam trabalho e lar. Marido e chefe. Filhos e planilhas. Reuniões e festinhas infantis. Viagens de negócio e viagens em família. Apresentações para um cliente e apresentação dos filhos na escola. Pois digo:  é perfeitamente viável conciliar tudo de forma saudável e prazerosa.
É claro que não é fácil conciliar todos esses papéis, mas… para quem gosta de uma boa dose de desafio chega a ser estimulante. A palavra aqui é ORGANIZAÇÃO.
Para que essa situação seja prazerosa, é preciso se livrar das culpas ou das crenças estabelecidas em nossa sociedade atual.
“Se você trabalha fora, e coloca seu filho em uma creche ou o deixa com uma babá, você não é uma boa mãe”.
Isso é muito contraditório. Se você não trabalha fora, não se preocupa com o conforto do seu filho, com a possibilidade de oferecer melhores oportunidades para ele. Se você trabalha, não pode usufruir desse conforto com seu filho. Oras bolas. Citando extremos, conheço muitas mulheres que não trabalham fora e vivem estressadas com os filhos, gritam, batem, não tem um pingo de paciência, não fazem programas diferentes, deixam a criança trancada dentro de casa ou do condomínio o dia todo, comendo porcarias. Conheço muitas mulheres que trabalham fora e ficam pouco tempo com seus filhos, mas que nesse pouco tempo que tem com seus filhos, procuram fazer programas agradáveis, passeios, brincadeiras, comidinhas especiais. Sendo assim, não há uma regra. Cada mãe é uma, e a questão de trabalhar fora não atrapalha a relação que teria com seu filho se ela não trabalhasse e vice-versa.
Ou: “Se você tem filhos, não poderá se dedicar ao seu trabalho, à sua carreira, porque inevitavelmente terá que se dedicar aos filhos, o que certamente são sua prioridade”.
Oras… se você trabalha fora, tem que ter uma estrutura que te socorra nos momentos complicados. Sim! Eles existirão. Você terá uma reunião importante com um cliente ou fornecedor, em outro estado, bem no dia em que seu filho está com um febrão de 40 graus, e que passou a noite inteira em claro para cuidar do pequeno. Se não tem uma estrutura (leia-se marido com horários flexíveis, babá, mãe ou sogra disponível) fica dificil mesmo conciliar todos os seus afazeres. Mas isso não deixa de ser um exercício para o corporativismo. Uma profissional sabe delegar, e deve aplicar suas habilidades do mundo corporativo no lar também. Ser mãe e/ou esposa também é fazer gestão, assim como em uma empresa.
Em qualquer um dos casos, a palavra aqui é se empoderar. Livrar-se das opiniões alheias e construir aquilo que lhe dá prazer, lutar pelo melhor para você enquanto mãe e profissional. É atender aos gritos do seu coração, é fazer aquilo que te faz feliz. E não seguir regras ou ondas ditadas por uma corrente específica, mas fazer da melhor forma que você puder, aquilo que você julga ser melhor, dando o melhor de si para seus pequenos nos momentos que estiverem juntos.
Abraço,
Gisele

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Gisele Leal
Escrito por

Gisele Leal

Obstetriz formada pela USP e acupunturista, com mais de 15 anos acompanhando mulheres na gestação, no parto e no pós-parto. Fundadora do Espaço Mulheres Empoderadas, em Campinas.

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